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Eugénio Tavares
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O triste regresso do exílio
Hora di Bai, Hora di dor, má si ca bado, ca ta birado

O poeta que cantara a Hora di Bai envolvendo sempre a hora do regresso cumprira o destino de ir como exilado mas cumprindo também o regresso, esse regresso era um triste regresso.

Entre 1900 e 1910 em condições caucionadas pelo seu pai, Eugénio regressou várias vezes na clandestinidade, à ilha Brava. De uma vez encontrara os seus sobrinhos (filhos adoptivos), José e Luísa, já bem crescidos.

 
O Poeta num dos regressos a casa - 1908
Ternuras dos sobrinhos José e Luísa, filhos da cunhada Cidália, são seus filhos no amor de quem outros filhos não teve senão os adoptivos
 

O regresso ao seu lar, para abraçar a sua esposa querida, é testemunhada por este poema que se segue:

A minha casa

Ó minha pobre casa! Estância honesta!
Minha felicidade inigualada!
Quem me dera passar, nesta jornada,
À tua sombra a vida que me resta!

Tudo me fere, tudo me molesta!
Longe de ti, minha pobreza amada!
O sol mais claro não me alegra;
Nada me aquece e me ilumina a fronte mesta!

O meu destino, túrbido, mesquinho,
Na saudade dos olhos siderais
Da companheira que ficou no ninho,

Arrasta-me a visões de dor, mortais:
E penso que talvez neste caminho
Não paro à tua sombra nunca mais!

Eugénio Tavares



Triste regresso

A José Bernardo Alfama

Dentro da claridade plumbea da manhã
A Ilha, sobre o mar, lembra uma catedral.
As nuvens em silêncio imergem devagar
Qual um fumear de incenso
Num ascetismo intenso,
Num perfume subtil de velha fé cristã.
Pelas naves glaciais da brónzea catedral.
A Ilha, sobre o mar.

E sobem vagamento em lágrimas banhando
A dura fronte augusta e grave dos rochedos.
Bebe em fundo silêncio a terra fulva, adusta.
A lágrima que cai;
Ea nuvem passa, vai.
Numa insondável mágoa imensa rorejando.
Em gélido suor,dos túrbidos rochedos
A dura fronte augusta.

Mas, já da opa cinzenta a Ilha se desnuda.
Beija-a com fúria o sol, dentes de fogo a comem.
O vento reduziu-lhe a trapos o lençol.
Emerge, e se acentua.
Do mar, móvel, nua,
Trânsida de tristeza, em uma angústia muda...
E, enquanto ao longe as nuvens álgidas se somem
Beija-a com fúria o sol.

Da c'roa do plató à fímbria da leveza
As árvores sem vida estorcem-se de sede.
E o sol - bem como um rei fanático, homicida, -
Fustiga-as a matar.
E ri-se ao incendiar
Os ramos - como mãos erguidas de quem reza -
E as folhas - como mãos abertas de quem pede -
Das árvores sem vida.

Em fim, o meu Navio, aos poucos, se aproxima.
Nos tristes olhos meus em lágrimas, rebrilha
A dita de ancorar após mil escarcéos.
E, pois que as nuvens vão
Fugindo na amplidão
Sem que uma gota de água enviem lá de cima.
Darei à tua sede o pranto - oh minha IIha!
Dos tristes olhos meus.

Eugénio Tavares

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